A investigação sobre o financiamento de “Dark Horse”, filme que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, ganhou novos elementos após decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). Relator de um inquérito relacionado às emendas parlamentares, Dino autorizou a Polícia Federal a acessar informações reunidas pela Polícia Civil de São Paulo em uma apuração envolvendo empresas e organizações ligadas à produção do longa.
A medida pode permitir que os investigadores cruzem informações sobre emendas parlamentares, organizações não governamentais e recursos destinados à produção do filme, verificando se existe alguma conexão entre dinheiro público e o financiamento da cinebiografia.
“Dark Horse” é o título provisório de uma cinebiografia sobre Jair Bolsonaro, que pretende retratar a trajetória política do ex-presidente. O projeto ganhou destaque nas investigações após surgir a informação de que o senador Flávio Bolsonaro teria discutido com o empresário Daniel Vorcaro recursos milionários que, segundo a versão apresentada pelo próprio senador, estariam relacionados ao financiamento do filme.
O caso ganhou repercussão depois da divulgação de um áudio em que Flávio aparece conversando com Vorcaro sobre valores. O senador afirmou que os recursos teriam relação com o projeto cinematográfico e prometeu apresentar documentos para comprovar a operação.
Segundo a reportagem, entretanto, a promessa de apresentar o contrato e a prestação de contas não teria sido cumprida dentro do prazo anunciado.
A decisão de Dino envolve dados de uma investigação paulista sobre a Go Up Entertainment, produtora relacionada ao filme, e o Instituto Conhecer Brasil (ICB). As duas organizações são ligadas a Karina Ferreira da Gama.
A apuração também considera o recebimento de milhões de reais em emendas parlamentares por organizações relacionadas ao grupo. Entre os parlamentares citados está Mário Frias (PL-SP), que aparece ligado à produção executiva da cinebiografia ao lado de Eduardo Bolsonaro.
Com acesso aos dados, a Polícia Federal poderá verificar a origem e a destinação dos recursos e comparar essas informações com a investigação conduzida no STF sobre o financiamento de “Dark Horse”.
O novo movimento coloca o financiamento do filme novamente no centro do debate político. A PF poderá buscar respostas para questões como quem financiou a produção, qual foi a origem dos recursos e se houve utilização direta ou indireta de dinheiro público.
Em julho, o ministro André Mendonça já havia autorizado uma investigação sobre o financiamento do filme. Agora, a decisão de Dino amplia o material que poderá ser analisado pelos investigadores.
O caso também ganhou dimensão eleitoral, já que Flávio Bolsonaro é candidato à Presidência da República. A eventual comprovação de irregularidades na movimentação de recursos poderia aumentar a pressão política e jurídica sobre o senador durante a campanha.
Até o momento, as suspeitas mencionadas nas investigações ainda precisam ser comprovadas pelas autoridades.
