Brasil é notificado pelos EUA após incidente envolvendo helicóptero de Trump e avião da Embraer

Cenipa foi acionado pelo NTSB porque o avião envolvido na ocorrência é um Embraer E-170; aeronaves chegaram a ficar próximas durante operação em Washington

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Donald Trump - Casa Branca/Andrea Hanks

O Brasil foi oficialmente notificado pelo Conselho Nacional de Segurança nos Transportes dos Estados Unidos (NTSB) sobre a investigação de um incidente envolvendo o Marine One, helicóptero utilizado pelo presidente Donald Trump, e um avião de passageiros da Envoy Air, modelo Embraer E-170. A ocorrência aconteceu no dia 4 de agosto, nas proximidades do Aeroporto Nacional Ronald Reagan, em Washington.

A participação brasileira na investigação ocorre porque o avião envolvido é de fabricação brasileira. O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) foi informado pelo NTSB para representar o Brasil como Estado de projeto da aeronave, conforme as regras da Organização da Aviação Civil Internacional (OACI).

Segundo o relatório preliminar divulgado na última quinta-feira (27), o episódio foi classificado como uma “perda de separação” entre as aeronaves. O Marine One havia decolado da região de The Ellipse, próxima à Casa Branca, enquanto o Embraer E-170, que operava o voo 3742 da Envoy Air, iniciava a subida após decolar do aeroporto.

Estimativas preliminares indicam que as aeronaves chegaram a aproximadamente 1,5 quilômetro de distância lateral e 213 metros de distância vertical. Em outra estimativa citada no caso, a separação teria chegado a cerca de 3 quilômetros. O NTSB ainda analisa os dados de vigilância aérea para determinar com precisão a menor distância registrada.

Apesar da proximidade, não houve colisão, feridos ou danos às aeronaves. O voo da Envoy Air prosseguiu normalmente até Pensacola, na Flórida, enquanto o Marine One concluiu o deslocamento presidencial sem novos incidentes.

Falhas de comunicação também são investigadas

Além da distância entre as aeronaves, o NTSB investiga possíveis problemas de comunicação entre o Marine One e a torre de controle do Aeroporto Reagan.

De acordo com o relatório preliminar, as primeiras tentativas da tripulação do helicóptero de estabelecer contato com os controladores não teriam sido recebidas ou chegaram de maneira incompreensível.

Os pilotos teriam informado à torre sobre a decolagem, mas o aviso aparentemente não foi ouvido pelos controladores. A comunicação era considerada importante porque poderia permitir que o helicóptero presidencial recebesse prioridade na operação.

Após o episódio, técnicos da Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA) identificaram problemas relacionados à linha de visada que poderiam prejudicar a comunicação entre a torre e a região de The Ellipse.

Desde 2025, a FAA mantém restrições para operações simultâneas de helicópteros e aviões em determinadas áreas próximas ao Aeroporto Reagan.

Investigação continua

O NTSB informou que a investigação ainda está em andamento. As informações divulgadas no relatório são preliminares e podem ser modificadas à medida que novos dados sejam analisados.

A participação do Cenipa permitirá ao Brasil acompanhar a apuração relacionada ao Embraer E-170 e contribuir tecnicamente com a investigação conduzida pelas autoridades norte-americanas.