O preço do querosene de aviação (QAV) voltou a subir no Brasil e aumentou a pressão sobre os custos das companhias aéreas. A Petrobras reajustou em 13,9% o preço médio do combustível vendido às distribuidoras a partir desta terça-feira (1º).
Com o novo aumento, o QAV acumula alta de 53,3% desde o início de 2026. Em relação ao preço praticado em dezembro do ano passado, a elevação chega a R$ 1,94 por litro. Apenas o reajuste de setembro representa um acréscimo de aproximadamente R$ 0,68 por litro.
Segundo a Petrobras, o reajuste acompanha as cotações internacionais do combustível, em meio à instabilidade no mercado de petróleo provocada pelo agravamento das tensões geopolíticas no Oriente Médio.
Nos últimos dias, o preço do barril do Brent chegou a superar US$ 95, diante de novos conflitos envolvendo Estados Unidos e Irã e das preocupações com o transporte de petróleo pelo Estreito de Ormuz, uma das principais rotas para a comercialização da commodity.
Como o QAV acompanha as condições do mercado internacional de derivados de petróleo, a valorização do produto acaba pressionando os custos da aviação.
O querosene de aviação representa uma das principais despesas das companhias aéreas. Segundo a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), o combustível passou a responder por cerca de 42% dos custos do setor, ante aproximadamente 30% anteriormente.
A entidade estima que cada R$ 1 de aumento no litro do QAV pode resultar na redução de aproximadamente 225 mil passageiros transportados.
As empresas aéreas acumulam ainda cerca de R$ 6,3 bilhões em custos adicionais relacionados ao aumento dos combustíveis neste ano, de acordo com dados divulgados pela Abear.
O aumento do combustível aumenta a pressão sobre as tarifas aéreas, mas não significa que as passagens subirão automaticamente na mesma proporção.
As companhias consideram fatores como demanda, concorrência, ocupação das aeronaves, câmbio, custos operacionais e estratégia comercial para definir os preços.
A sequência de reajustes, entretanto, reduz o espaço para uma eventual queda nas tarifas e pode levar as empresas a repassar parte dos custos adicionais aos passageiros.
Para reduzir o impacto imediato do aumento sobre o setor, a Petrobras informou que retomará em setembro o programa que permite às distribuidoras parcelar os reajustes do QAV em três parcelas mensais.
A medida pode aliviar o impacto sobre o fluxo de caixa das empresas que comercializam o combustível para a aviação, mas não elimina a alta acumulada ao longo do ano.
Além do combustível, as companhias aéreas também sofrem com o câmbio, manutenção, aquisição de peças e outros custos vinculados ao dólar.
Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) já apontavam preços elevados do QAV antes do novo reajuste. Em maio, o valor médio chegou a superar R$ 6,50 por litro, maior nível da série histórica acompanhada desde 2002.
Com a nova alta, as empresas terão de decidir quanto dos custos conseguirão absorver e quanto poderá chegar ao consumidor. Caso o petróleo permaneça em níveis elevados e a instabilidade internacional continue, a tendência é de maior pressão sobre o preço das passagens aéreas nos próximos meses.