A suspensão das importações de carne bovina e outros produtos de origem animal do Brasil pela União Europeia, iniciada nesta quinta-feira (3), não deve provocar redução no preço da carne para o consumidor brasileiro. Segundo especialistas, o mercado europeu representa uma parcela pequena das exportações brasileiras e a tendência é de pressão de alta nos preços até o fim do ano.
Em 2025, a União Europeia respondeu por apenas 3,7% do volume e 5,8% do valor das exportações brasileiras de carne bovina. Por isso, a perda do mercado europeu não deve gerar excesso de oferta suficiente para derrubar os preços no mercado interno.
A suspensão foi adotada após a União Europeia retirar o Brasil da lista de países considerados em conformidade com as regras do bloco sobre o uso de antimicrobianos na pecuária. A medida não foi motivada, segundo o texto, pela identificação de irregularidades específicas na carne brasileira, mas pela avaliação europeia de que os mecanismos de controle adotados pelo Brasil são insuficientes.
Além da carne bovina, a restrição atinge produtos como frango, carne suína, mel, pescados e ovos.
Enquanto a União Europeia suspende as compras, a expectativa é de aumento da demanda de outros mercados, principalmente da China. O país asiático estabeleceu uma cota de importação de 1,1 milhão de toneladas de carne bovina brasileira em 2026.
Com a retomada dos embarques para o mercado chinês prevista para os próximos meses e a menor disponibilidade de bois para abate, especialistas avaliam que os preços da carne podem continuar pressionados.
Os cortes nobres, como filé mignon e contrafilé, também não devem escapar da tendência. Na prévia da inflação de agosto, as carnes acumulavam alta de 8,53%, enquanto o filé mignon subia 15,2% e o contrafilé, 11,5%.
O governo brasileiro vem negociando com a União Europeia para tentar reverter a suspensão. O país criou novas regras para controlar o uso de antimicrobianos e estabeleceu protocolos de rastreabilidade dos animais destinados ao mercado europeu.
Apesar das medidas, o bloco ainda não suspendeu a decisão. Uma auditoria nas cadeias produtivas de frango e mel está sendo realizada no Brasil, e o resultado ainda será analisado pelas autoridades europeias.
Para o setor, a União Europeia é um mercado estratégico principalmente pela compra de cortes bovinos de maior valor agregado. Mesmo representando uma parcela pequena das exportações brasileiras, a suspensão pode afetar frigoríficos que dependem desse mercado específico.
No cenário atual, portanto, a saída do mercado europeu não deve baratear a carne no Brasil. A combinação entre maior demanda externa e menor oferta de animais para abate tende a manter os preços pressionados nos próximos meses.