Carne não deve ficar mais barata no Brasil após suspensão de compras pela União Europeia

Bloco europeu suspende importações de produtos de origem animal do Brasil, mas mercado europeu representa parcela pequena das exportações de carne bovina

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Imagem ilustrativa de carne bovina. — Foto: George Piskov/Pexels

A suspensão das importações de carne bovina e outros produtos de origem animal do Brasil pela União Europeia, iniciada nesta quinta-feira (3), não deve provocar redução no preço da carne para o consumidor brasileiro. Segundo especialistas, o mercado europeu representa uma parcela pequena das exportações brasileiras e a tendência é de pressão de alta nos preços até o fim do ano.

Em 2025, a União Europeia respondeu por apenas 3,7% do volume e 5,8% do valor das exportações brasileiras de carne bovina. Por isso, a perda do mercado europeu não deve gerar excesso de oferta suficiente para derrubar os preços no mercado interno.

A suspensão foi adotada após a União Europeia retirar o Brasil da lista de países considerados em conformidade com as regras do bloco sobre o uso de antimicrobianos na pecuária. A medida não foi motivada, segundo o texto, pela identificação de irregularidades específicas na carne brasileira, mas pela avaliação europeia de que os mecanismos de controle adotados pelo Brasil são insuficientes.

Além da carne bovina, a restrição atinge produtos como frango, carne suína, mel, pescados e ovos.

Preços podem subir

Enquanto a União Europeia suspende as compras, a expectativa é de aumento da demanda de outros mercados, principalmente da China. O país asiático estabeleceu uma cota de importação de 1,1 milhão de toneladas de carne bovina brasileira em 2026.

Com a retomada dos embarques para o mercado chinês prevista para os próximos meses e a menor disponibilidade de bois para abate, especialistas avaliam que os preços da carne podem continuar pressionados.

Os cortes nobres, como filé mignon e contrafilé, também não devem escapar da tendência. Na prévia da inflação de agosto, as carnes acumulavam alta de 8,53%, enquanto o filé mignon subia 15,2% e o contrafilé, 11,5%.

Brasil tenta reverter decisão

O governo brasileiro vem negociando com a União Europeia para tentar reverter a suspensão. O país criou novas regras para controlar o uso de antimicrobianos e estabeleceu protocolos de rastreabilidade dos animais destinados ao mercado europeu.

Apesar das medidas, o bloco ainda não suspendeu a decisão. Uma auditoria nas cadeias produtivas de frango e mel está sendo realizada no Brasil, e o resultado ainda será analisado pelas autoridades europeias.

Para o setor, a União Europeia é um mercado estratégico principalmente pela compra de cortes bovinos de maior valor agregado. Mesmo representando uma parcela pequena das exportações brasileiras, a suspensão pode afetar frigoríficos que dependem desse mercado específico.

No cenário atual, portanto, a saída do mercado europeu não deve baratear a carne no Brasil. A combinação entre maior demanda externa e menor oferta de animais para abate tende a manter os preços pressionados nos próximos meses.