Ação do MPAL e MPPE prendeu três pessoas e cumpriu oito mandados de busca e apreensão; concurso da Guarda Civil Municipal de Rio Largo está entre os certames investigados
Um pai e sua filha estão entre as três pessoas presas nesta terça-feira (18) durante a Operação BABET, deflagrada pelo Ministério Público de Alagoas (MPAL) e pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE) para investigar uma organização criminosa suspeita de envolvimento em fraudes em concursos públicos.
Ao todo, foram cumpridos três mandados de prisão, sendo um em Alagoas e dois em Pernambuco, além de oito mandados de busca e apreensão. As medidas foram realizadas em municípios dos dois estados.
Em Alagoas, uma das ações ocorreu em Rio Largo, onde é investigado o concurso público destinado ao preenchimento de cargos da Guarda Civil Municipal. O certame está entre os processos que passaram a ser analisados pelas autoridades dentro das investigações sobre o suposto esquema.
Em Pernambuco, foram cumpridos mandados nos municípios de Camaragibe, Igarassu, Santa Cruz do Capibaribe e Peixinhos. Em Camaragibe e Igarassu também foram cumpridas ordens de prisão.
Segundo os Ministérios Públicos, as investigações apontam que os suspeitos teriam utilizado, de maneira reiterada, diferentes estratégias e mecanismos para interferir na lisura de concursos públicos e favorecer determinados candidatos.
As autoridades buscam identificar como a organização teria atuado, quem seriam todos os envolvidos e qual seria a dimensão das possíveis fraudes.
O objetivo também é reunir novas provas que possam esclarecer a participação de cada investigado e identificar eventuais outros concursos que possam ter sido alvo do grupo.
A operação foi resultado de uma atuação conjunta dos Grupos de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaecos) do MPAL e do MPPE, da 2ª Promotoria de Justiça de Rio Largo e da promotoria designada para acompanhar o caso.
Em Rio Largo, as diligências contaram com a participação dos promotores de Justiça Louise Teixeira, que atua no município, e Kleber Valadares, designado para acompanhar diretamente as medidas realizadas na cidade.
Em Pernambuco, participaram das ações os promotores Napoleão Amaral, coordenador do Gaeco/MPAL, Hamílton Carneiro e Jorge Bezerra, integrantes do grupo, além de membros do Gaeco de Pernambuco.
Segundo Napoleão Amaral, a integração entre os órgãos foi fundamental para o cumprimento das medidas judiciais.
“Esse trabalho conjunto foi fundamental para o cumprimento das medidas cautelares em cidades alagoanas e pernambucanas e para o avanço das investigações sobre a estrutura criminosa”, explicou.
Durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão, as equipes recolheram dispositivos eletrônicos, documentos e outros materiais considerados de interesse para a investigação.
O material apreendido será submetido a análise técnica. A expectativa do Ministério Público é que os dados possam ajudar a identificar novas provas e esclarecer a possível participação de outras pessoas no esquema.
Os três presos também deverão ser ouvidos pelo Ministério Público de Alagoas, com apoio do Núcleo de Gestão da Informação (NGI/SI/MPAL).
De acordo com o promotor Kleber Valadares, a análise dos materiais apreendidos poderá contribuir para organizar novas evidências e aprofundar informações que já foram reunidas durante a investigação.
A expectativa é de que os depoimentos e os dados encontrados nos dispositivos eletrônicos possam revelar novas conexões entre os investigados e ajudar a esclarecer a forma como as possíveis fraudes eram realizadas.
As investigações também apontam que a atuação do grupo pode não ter ocorrido de maneira isolada.
Segundo o Ministério Público, dois dos investigados que tiveram a prisão decretada já haviam sido recentemente envolvidos, em Pernambuco, em uma investigação relacionada a uma suposta prática criminosa semelhante.
Essa informação reforçou a necessidade de aprofundar as apurações e contribuiu para a adoção das medidas cautelares autorizadas pela Justiça.
As ordens foram expedidas no âmbito da 17ª Vara Criminal da Capital, em Alagoas.
Entre os concursos analisados pelas autoridades está o concurso público da Guarda Civil Municipal de Rio Largo.
O Ministério Público ainda busca esclarecer de que maneira a organização criminosa teria atuado no certame e se houve interferência para beneficiar candidatos específicos.
A investigação também pretende verificar se outros concursos públicos foram atingidos pelo suposto esquema.
Até o momento, as suspeitas estão sendo apuradas e a responsabilidade individual de cada investigado ainda deverá ser esclarecida no decorrer do processo.
O nome BABET faz referência a um personagem da obra Os Miseráveis, do escritor francês Victor Hugo.
Na história, Babet é retratado como alguém que utiliza fraude, disfarces e manipulação para assumir diferentes papéis e enganar outras pessoas.
Segundo o Ministério Público, a escolha do nome faz referência às características atribuídas, em tese, à atuação dos investigados no esquema que está sendo apurado.
