Mais eleitores nas urnas, menos votos brancos e nulos e virada em mais de 200 cidades: a combinação que levou Lula à vitória histórica

Petista saiu de uma desvantagem de 2,2 milhões de votos para Flávio Bolsonaro (PL) no 1º turno para uma vitória por 4,4 milhões no segundo. Presidente reeleito cresceu mais do que todos os outros candidatos derrotados no 1º turno somados, virou em 211 cidades e alcançou votação recorde.

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Rafael Peixoto/g1

A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi marcada por uma virada de 6,6 milhões de votos na diferença em relação ao primeiro turno. Após começar a etapa final da disputa em desvantagem de aproximadamente 2,2 milhões de votos para Flávio Bolsonaro (PL), o petista terminou a eleição com uma vantagem de cerca de 4,4 milhões.

Com 100% das urnas apuradas, Lula recebeu 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos válidos. Flávio Bolsonaro somou 59.826.041 votos, ou 48,21%.

Entre os dois turnos, Lula acrescentou 10,3 milhões de votos à sua votação, enquanto o senador ampliou a própria marca em aproximadamente 3,7 milhões. Do total de votos adicionais recebidos pelos dois candidatos, 73,6% foram destinados ao petista.

O crescimento de Lula também superou a soma dos votos de todos os candidatos derrotados no primeiro turno. Juntos, os demais concorrentes receberam cerca de 9,3 milhões de votos, aproximadamente 1 milhão a menos que o avanço do presidente eleito. Isso indica que a transferência de votos dos candidatos eliminados, isoladamente, não explica toda a expansão da votação petista.

Comparecimento aumentou e votos brancos e nulos caíram

A participação dos eleitores também contribuiu para o resultado. A abstenção caiu de 21,08% no primeiro turno para 19,21% no segundo, levando 2,83 milhões de eleitores a mais às urnas.

Ao mesmo tempo, o total de votos brancos e nulos diminuiu de 5,98 milhões para 4,15 milhões, uma redução de 1,83 milhão. Somados, o aumento do comparecimento e a queda dos votos inválidos acrescentaram aproximadamente 4,66 milhões de votos válidos à disputa.

Essas mudanças ampliaram o universo de votos distribuídos entre os dois candidatos, mas não determinam, por si só, para quem foram direcionados. O resultado final refletiu também a evolução da votação de Lula e Flávio entre as duas etapas.

Lula cresceu em todos os estados

O presidente eleito ampliou sua votação em todas as unidades da Federação, incluindo o Distrito Federal. Os maiores avanços absolutos ocorreram em São Paulo, onde passou de 9,5 milhões para 12,1 milhões de votos, um acréscimo de aproximadamente 2,6 milhões.

Minas Gerais registrou o segundo maior aumento, com 1,16 milhão de votos adicionais para Lula, seguido pelo Rio de Janeiro, com cerca de 872 mil.

Minas Gerais também teve destaque no resultado final. O petista venceu no estado com 50,43% dos votos válidos, contra 49,57% de Flávio Bolsonaro. No primeiro turno, o senador havia liderado a votação mineira, e a inversão acompanhou o resultado nacional.

No Nordeste, Lula acrescentou quase 3 milhões de votos à sua votação, que passou de aproximadamente 21,5 milhões para 24,5 milhões. O crescimento na região foi de 13,75%, ampliando a vantagem que o petista já mantinha sobre o adversário.

Resultado mudou em centenas de municípios

A virada também apareceu na distribuição geográfica dos votos. Lula venceu em mais de 200 municípios nos quais Flávio havia sido o mais votado no primeiro turno. As inversões ocorreram em 18 estados.

Minas Gerais concentrou o maior número dessas cidades, com 76 municípios, seguido por São Paulo, com 32; Paraná, com 20; e Rio Grande do Sul, com 19. Entre as mudanças de destaque está a cidade do Rio de Janeiro, onde Lula reverteu a vantagem que o senador havia conquistado na primeira etapa.

Enquanto o petista ampliou sua votação em todos os estados, Flávio terminou o segundo turno com menos votos em seis unidades da Federação. No total, o senador perdeu votos em 939 municípios, nos quais recebeu, somados, 134.091 votos a menos que no primeiro turno.

O Maranhão liderou em número de cidades onde Flávio perdeu votos, com 171 municípios, seguido por Tocantins, com 115, e Piauí, com 110. A maior queda absoluta ocorreu em Macapá, onde a votação do candidato do PL recuou de 124.378 para 120.593 votos.

Lula melhorou o saldo em 97% dos municípios

Em 5.410 dos 5.570 municípios brasileiros, Lula melhorou seu saldo de votos em relação a Flávio entre o primeiro e o segundo turno, o equivalente a aproximadamente 97% das cidades do país.

Os avanços mais expressivos apareceram em áreas do Sul e do Sudeste, além do litoral nordestino, do Centro-Oeste e da Região Norte. Já os 160 municípios em que Flávio ganhou terreno se concentraram principalmente no interior da Bahia, no norte de Minas Gerais e em trechos do sertão de Pernambuco e do Piauí.

A combinação de crescimento da votação petista, maior participação eleitoral, redução dos votos brancos e nulos e perda de votos do adversário em parte do território nacional consolidou a vitória de Lula.

Com 64,2 milhões de votos, o presidente também estabeleceu a maior votação absoluta já registrada por um candidato à Presidência no Brasil, superando seu próprio recorde de aproximadamente 60,3 milhões de votos, obtido em 2022.

FONTE: G1