A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para pedir investigação sobre uma possível divulgação coordenada de conteúdos nas redes sociais relacionados ao preço dos alimentos e ao custo de vida no país.
Segundo levantamento apresentado pela campanha petista, mais de 20 influenciadores teriam publicado conteúdos com características semelhantes. A equipe jurídica afirma ter identificado não apenas a repetição dos temas, mas também roteiros, imagens, locais de gravação, objetos em cena, gestos e estruturas de fala semelhantes.
Um dos exemplos citados envolve a imagem de um pedaço de contrafilé que teria sido compartilhada por 33 contas, mantendo o mesmo código de barras visível na embalagem. Segundo o levantamento, três perfis publicaram o mesmo arquivo em um intervalo de pouco mais de seis minutos.
A campanha de Lula também afirma ter encontrado relatos de influenciadores que receberam doações, aumento de seguidores ou outros benefícios após a publicação dos conteúdos. O levantamento menciona ainda homenagens concedidas por um vereador do PL a três pessoas apontadas como disseminadoras desse tipo de material.
A iniciativa faz parte de uma guerra jurídica que envolve as campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro (PL), principais adversários na disputa presidencial.
Enquanto a campanha petista pretende questionar o que classifica como uma possível rede coordenada de conteúdos sobre a situação econômica e o preço dos alimentos, o grupo de Flávio Bolsonaro também já recorreu à Justiça Eleitoral contra o que considera uma estratégia organizada de ataques ao candidato do PL.
O partido afirma ter identificado centenas de perfis que atuariam de maneira coordenada na divulgação de conteúdos negativos contra Flávio. Em uma das ações, o PL citou uma rede com 409 perfis.
A legenda também acusa adversários de utilizar perfis falsos e conteúdos manipulados, inclusive produzidos com inteligência artificial, para atingir a imagem do senador.
As acusações ainda serão analisadas pela Justiça Eleitoral e não representam, por si só, uma conclusão sobre eventual irregularidade ou crime.
A disputa evidencia, porém, o peso que as redes sociais e a circulação de conteúdos políticos devem ter na eleição presidencial de 2026. As duas campanhas passaram a utilizar o TSE para questionar estratégias digitais atribuídas aos adversários, transformando a atuação nas plataformas em mais uma frente da disputa eleitoral.